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terça-feira, 26 de março de 2019

Meditação da Kundalini: Deixar o Espírito Irradiar

março 26, 2019


Por: Paul Wagner 

Do final dos anos 90 até o início dos anos 2000, passei algum tempo com Harbhajan Singh Khalsa, conhecido como Siri Singh Sahib, para seus seguidores. 
Para o mundo, ele era mais proeminentemente conhecido como Yogi Bhajan (1929-2004). 
Um sikh profundamente curioso, curandeiro, vegan, intuitivo mestre, empresário, fundador do movimento de meditação e ioga Kundalini, e diretor executivo de uma fundação econômica global. Talvez nunca haja outro Yogi Bhajan. Ele foi notável.
Quando visitávamos juntos, eu o chamava carinhosamente de "Yogi". Em meu coração, senti que ele era parecido com Yogi Bear, um amigo grande, brincalhão, carinhoso e protetor.
Eu amava seu calor e intensidade. Depois de calcular amorosamente a numerologia do meu nascimento, Yogi diria: “Paul, você adora jogar um pé abaixo do seu potencial. Por que isso acontece? ”Ainda não consigo responder a essa pergunta.
Quando vagando dentro dos círculos espirituais, buscando o mestre interior, nem sempre é óbvio o quão importante uma experiência ou pessoa em particular pode se tornar para nós. Pode-se dizer que tomei por certo Yogi Bhajan, nunca entendendo completamente que sua generosidade e amizade eram alguns dos presentes mais adoráveis ​​e essenciais para a minha vida.
Yogi Bhajan foi o fundador da 3HO (Organização Saudável, Feliz e Sagrada) e o primeiro mestre espiritual a ensinar abertamente a meditação e a ioga Kundalini nos Estados Unidos.
O yogue era uma jóia impressionante e poderosa, e seu dom da meditação e da ioga da Kundalini tocou milhões de vidas.
"Quando você não entra, você fica sem."
- Yogi Bhajan



QUAL É O OBJETIVO DA MEDITAÇÃO KUNDALINI?

O propósito da meditação Kundalini e outras formas de meditação e yoga é ajudar-nos a liberar as identidades falsas que nos escravizam em projeção, instabilidade, ansiedade e apego.
Reduzindo nossos apegos às nossas identidades públicas, egos inflamados, mentes perturbadas e máscaras inventadas, nos movemos mais profundamente no espírito e nos tornamos mais sintonizados com nosso eu original.
Através de padrões de respiração regulados (pranayama) e posturas específicas (corpo e mãos) conhecidas como mudras, aumentamos nossas vibrações e nos alinhamos com as freqüências divinas. Pense na meditação como um ajuste espiritual e quiroprático.
Nossas vibrações e freqüências são vitais para nossa busca de despertar e libertação . Quando nossas vibrações são dificultadas, buscamos e magnetizamos pessoas, lugares, eventos, intenções, pensamentos e ações que nos desconectam da luz e de nossas mais altas potencialidades.
Se pudermos ter uma mente sincera e centrado no coração em nossas intenções espirituais, avançaremos em direção à liberação. Meditação e yoga são benéficas nessa busca.
"Você deve isso a si mesmo para ser você mesmo."
- Yogi Bhajan



COMO FAÇO A MEDITAÇÃO KUNDALINI?

Existem vários tipos de meditação Kundalini, alguns dos quais podem animar uma variedade de aspectos dentro de nossos corpos e espíritos.
Considere ter cuidado com esse tipo de meditação. Muitos derivados modernos da nova era podem ou não ser úteis na sua busca de luz e amor.
A meditação Kundalini é uma prática antiga e deve ser comprometida com os mais altos padrões em mente.
Aqui está a Meditação Kundalini original de Yogi Bhajan, que ele começou a ensinar nos Estados Unidos no final dos anos 1960. Eu infundi a forma original de meditação de Yogi com algumas sugestões para uma experiência mais suave.
Meditação original de Kundalini de Yogi Bhajan
    1. Sente-se confortavelmente com a coluna ereta: não há problema em descansar em uma cadeira ou sofá, mas sentar-se em um travesseiro de meditação no chão fortalecerá sua coluna, aprofundará os efeitos de sua respiração e melhorará seus padrões respiratórios. 
    2. Forme um mudra: Use suas mãos para criar um cálice de dedo aberto (apontado para cima) ou flor de lótus. Seus dedinhos e polegares devem ser pressionados juntos, enquanto os outros dedos são abertos para formar uma cavidade aberta. Segure esta flor na frente do seu coração, lembrando-se de manter sua espinha reta. Formações específicas de mãos como estas são conhecidas como mudras. Os mudras são mais frequentemente alinhados com os princípios budistas e hindus e inspiram o fluxo energético e uma insurreição de vibração.
    3. Olhos: Se possível, feche os olhos e abra-os ligeiramente. Se você também puder rolar os olhos para cima, isso será benéfico para a experiência. Você também pode olhar para baixo ou em direção à luz através da fenda aberta.
    4. Settle-in: Para relaxar em um estado pré-meditativo, inspire profundamente e expire três vezes. Pause, respire regularmente e repita. Em meio a essa respiração, liberte a tensão, o medo, as máscaras e as noções preconcebidas.
    5. Quinze minutos de respiração: Para iniciar a respiração pranayama parcial, inale um terço de uma respiração completa e segure por 15 segundos. Inale outro terço por 15 segundos. Inale os 15 segundos finais e depois expire. Repita este padrão de respiração por 5 a 15 minutos, de preferência o mais próximo possível de 15 minutos. Se você precisa começar com 10 segundos de prender a respiração a cada intervalo, tudo bem também. Se preferir, considere aumentar os intervalos até 20 segundos de duração.
    6. Onze minutos de mantra cantando. O mantra original para esta meditação é Har Har Har Jee. O mantra se traduz aproximadamente em: “Oh, minha alma, (o criativo) Deus é, Deus é, Deus é, Deus é, Oh, minha alma.” Você também pode cantar o mantra mais simples, “Sat Nam”, que significa, "Verdade ou Verdade (Sat) identidade (Nam)." Se a sua fé cai sob uma tradição diferente, você pode simplesmente repetir o nome de sua divindade desejada.
    7. Repita o padrão respiratório pranayama inicial.

Essa meditação é potente e pode fortalecer a paz e a resolução. A chave para essa meditação é a repetição. Se você puder se comprometer com uma prática diária por um tempo, isso aumentará sua vida.
Quando conheci Yogi Bhajan, iniciei uma experiência de meditação de 40 dias. Acordei todas as manhãs às 4 da manhã. Além dessa meditação de 31 minutos, eu faria 60 minutos de Kundalini Yoga. Após 40 dias, minha vida foi transformada.
"Você é muito poderoso, desde que você saiba o quão poderoso você é."
- Yogi Bhajan

COMO A MEDITAÇÃO DA KUNDALINI SE RELACIONA COM A IOGA DA KUNDALINI?


A meditação da Kundalini é incorporada à ioga da Kundalini, e a meditação é uma forma de yoga. Yoga e práticas de meditação estão alinhadas, na medida em que muitas vezes são projetados para remover a tagarelice mental e os obstáculos que nos impedem de nos ver claramente.
A meditação é focada na respiração e na postura de repouso e não inclui tradicionalmente o movimento físico. Enquanto isso, o yoga tradicional envolve padrões específicos de respiração, movimentos e posições físicas estruturadas e meditação básica.
Sem a meditação da Kundalini, não haveria a ioga da Kundalini , mas o inverso não é necessariamente verdadeiro. De acordo com muitos mestres espirituais iluminados, a meditação é a modalidade mais benéfica para o progresso espiritual. Aprofunda nossa conexão com o nosso eu mais autêntico, expande nossos espíritos e amplia nossa capacidade de compaixão e consciência.
Enquanto isso, os componentes físicos encontrados no yoga não são essenciais para todos os iniciados e podem não melhorar o caminho espiritual de cada pessoa.
Muitas das formas derivadas e modernas de yoga no mercado hoje são apenas exercícios. Dependendo de sua linhagem e qualidade, e das intenções e profundidade do professor, o yoga pode ser egocêntrico e, portanto, antitético à busca de um despertar espiritual.
Yoga da nova era tornou-se parte integrante da cultura pop. Isso teve efeitos positivos e negativos. Enquanto algumas das formas do novo yoga estão aproximando as pessoas da paz e da libertação, outros tipos são indulgentes e podem inspirar satisfação própria.
De acordo com princípios antigos, esse tipo de validação egocêntrica pode rapidamente aplacar e sufocar a capacidade de um indivíduo de obter uma clareza divinamente inspirada.
Ao escolher um caminho de yoga, seja perspicaz. Procure instrutores claros, amorosos e dedicados que incorporem os princípios dos ensinamentos originais hindus e budistas.
Você pode aprender mais sobre os ensinamentos de Yogi Bhajan em 3HO e LibraryofTeachings .
"Eu não acredito em milagres, confio neles."
- Yogi Bhajan

sexta-feira, 15 de março de 2019

A Infantilidade da percepção espírita - Dossiê Espírita

março 15, 2019
fonte: Dossiê Espírita

A constatação trazida por este texto é chocante para muitas pessoas, devido à imagem glamourizada que Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco possuem na opinião pública. Mas a ideia de que os dois são considerados inimigos internos da Doutrina Espírita não se baseia em calúnias, mas na própria literatura espírita original.


Quem leu com muita atenção os livros doutrinários de Allan Kardec, saberá que isso é verdade. Chocante, mas é verdade. A própria recomendação do espírito Erasto em O Livro dos Médiuns, de que é preferível recusar dez verdades do que aceitar uma única mentira, condiz com isso: infelizmente, o Brasil aceitou uma única mentira, a ilusão dos "médiuns espíritas", deturpadores mas dublês de filantropos, mistificadores mas divulgadores de palavras açucaradas.

O Brasil vive ainda na infância de sua percepção da realidade, e ainda é apegado, de maneira bastante doentia, a muitas convicções. Muitos acreditam em tolices como uma ditadura supostamente resolver uma crise político-econômica ou a venda das nossas riquezas para estrangeiros irá promover o crescimento da nossa Economia.

A crença fanática (embora tida como "sem fanatismo") dos "médiuns espíritas" é também um reflexo dessa infância perceptiva, dessa absoluta falta de discernimento das pessoas. Afinal, os "médiuns" deturparam e ampliaram a deturpação do Espiritismo, e isso se torna grave em si, porque os desvios doutrinários feitos em relação à Doutrina Espírita representam a avacalhação de um trabalho solitário, árduo e oneroso. Ninguém sabe o nível da gravidade com que os "médiuns" deturparam a doutrina.

Os dois "médiuns", Chico Xavier e Divaldo Franco, personificam o misto de vendilhões do templo com os sacerdotes fariseus que Jesus reprovou em seu tempo. A aparente gratuidade de suas atividades é apenas um aparato, pois há outros meios de lucratividade que não atenuam as imagens desses religiosos. Documentários, seminários, premiações são alguns dos tesouros pomposos que os "médiuns espíritas" costumam receber, dados pelo apoio entusiasmado de ricos e poderosos.

Os "médiuns" apenas se dizem "humildes" por jogo de cena. Vivem do culto à personalidade e do estrelato e a simples fama lhes vale como uma fortuna, equiparando-os aos aristocratas, se não pela aparente posse do dinheiro, mas pela fama conquistada, a níveis hollywoodianos. E ainda recebem mordomias, como viagens em aviões de primeira classe, fazem turismo pelo planeta e recebem hospedagem em hotéis cinco estrelas, além de fazer palestras para as elites em troca de prêmios.

TRAJETÓRIA DIFÍCIL

Para quem não sabe, a trajetória do pedagogo francês Hippolyte Leon Denizard Rivail, o Allan Kardec, foi muitíssimo difícil. Apesar do reconhecimento como estudioso da Educação e professor discípulo do suíço Johann Heinrich Pestalozzi, Kardec, ao decidir estudar os fenômenos espirituais, encontrou grande repúdio da sociedade.

O pedagogo de Lyon só tinha como seu apoio estável a esposa, Amèlie Gabrielle Boudet, pois ele tinha que pagar as viagens com seu próprio dinheiro, tinha que manter sozinho a Revista Espírita e procurava explicar pacientemente suas ideias e conhecimentos, baseados em pesquisas solitárias e análises muito criteriosas.

O que os brasileiros não sabem é que os "médiuns espíritas" têm todo o conforto, os holofotes e as mordomias em suas mãos. Tanto Chico Xavier e Divaldo Franco não se tornaram humildes nem simbolizam a imagem de "gente simples" que virou pretenso consenso entre os brasileiros, mas são sustentados pelas elites que lhes financiaram viagens confortáveis, hospedagens generosas e uma blindagem midiática, jurídica e empresarial de dar inveja.

Os dois, além de desfigurarem o legado kardeciano original, inserindo nele ideias que Kardec reprovou de maneira explícita, por serem místicas e fora da lógica e do bom senso, se tornaram beneficiados de uma idolatria religiosa que envergonharia até Moisés, que veria, chocado, nos "médiuns espíritas", a idolatria que se deu ao velocino de ouro.

Não há como comparar as viagens patrocinadas de Divaldo Franco pelo mundo afora, para fazer palestras para ricos e poderosos em seminários de grande porte em hotéis cinco estrelas, com a peregrinação de Jesus de Nazaré ou as viagens de pesquisa feitas por Allan Kardec com o dinheiro do próprio bolso. E ainda assim para divulgar conceitos duplamente anti-doutrinários, tanto baseados no Cristianismo medieval (que deturpou o legado de Jesus) quanto na deturpação espírita.

SE O ELETRICISTA BOTA FOGO NA SUA CASA AO FAZER CURTO-CIRCUITO, VOCÊ ADMITIRIA SEU TRABALHO SÓ PORQUE ELE É BONZINHO?

A deturpação de Chico Xavier e Divaldo Franco em relação ao Espiritismo é um processo da mais extrema gravidade. Os dois não deturparam por "acidente", "sem querer" nem por "entusiasmo demais com suas origens católicas". Os dois fizeram com plena consciência de seus atos, monitorados pela FEB, e contribuíram, com gosto, para a desfiguração doutrinária que rebaixou o Espiritismo a um sub-Catolicismo de moldes jesuítas e medievais.

Mas as pessoas aceitam tudo isso a ponto de acreditar que, assim como quem aposta nas raposas para a reconstrução do galinheiro, Chico e Divaldo iriam recuperar as bases doutrinárias originais, tese absurda que foi sustentada pela blindagem de alguns amigos pessoais de Chico, anti-roustanguistas um tanto ingênuos, que se esqueceram do ditado "amigos, amigos, negócios à parte" e pensavam que o anti-médium mineiro era "uma figura simples e imaculada".

No entanto, Chico Xavier cometeu das suas. Há indícios de que ele teria se vingado de Humberto de Campos, devido a resenhas que o "médium" não gostou e, assim que o autor maranhense morreu, o mineiro se apropriou de seu nome para inventar obras inéditas. Chico já fez julgamentos de valor perversos contra vítimas de um incêndio num circo em Niterói e atribuiu o juízo a Humberto. O "médium" também defendeu abertamente a ditadura militar, na sua pior fase.

Infelizmente, usa-se a desculpa da "caridade" - um mero Assistencialismo que se proclama ser "assistência social" - para blindar os "médiuns espíritas" e minimizar os efeitos das contestações. Só que vamos fazer uma comparação.

Uma família contrata um eletricista. Pessoa muito simpática, religiosa etc. De repente, ele faz um péssimo trabalho, arrumando mal uma fiação elétrica. Isso faz com que, num dado momento, ocorra curto circuito e a casa pegue fogo, arrasando com tudo. O eletricista é processado e ele acaba perdendo ofertas de emprego pela má repercussão de seu desastre.

E olha que, digamos, ele havia feito, neste hipotético caso, o erro sem querer. Os "médiuns espíritas" erraram de propósito e são mantidos como representantes do Espiritismo e há quem os aproveite na ilusão de tê-los em alta diante da recuperação dos postulados kardecianos originais.

ASPECTOS SOMBRIOS

O grande problema é que os "médiuns espíritas" apresentam aspectos sombrios. Sua "medinuidade", diante do vício da falta de concentração dos brasileiros, em maioria incapazes de ler um livro "difícil" e músicas de qualidade, produz resultados quase sempre fakes. Suas ideias religiosas ocorrem à revelia dos ensinamentos espíritas, além da defesa de vários dogmas e práticas que contrariam frontalmente a Ciência Espírita e sua correspondente lógica.

Chico Xavier e Divaldo Franco tiveram origem arrivista, começaram com pastiches e plágios literários e defendem posições ideológicas bastante reacionárias. Chico Xavier mostrou indícios de valores machistas, racistas e até anti-semitistas em suas obras, além de defender abertamente que os sofredores devam suportar calados suas desgraças, sem reclamar para outras pessoas. E ainda defendeu a ditadura militar.

Divaldo Franco, por sua vez, andou defendendo posturas e procedimentos que acabaram derrubando sua fama de "sábio, pacifista, humanista e altruísta" de uma só vez, através de ocorrências e atividades recentes.

Primeiro, Divaldo derrubou a imagem de "sábio" ao difundir de maneira ainda mais confusa a já ridícula tese das "crianças-índigo", além de contrariar os ensinamentos espíritas tentando determinar datas para progressos profundos na humanidade. Sem falar que não é missão de um sábio autêntico a pretensão de ter respostas prontas para tudo, o que desqualifica a série Divaldo Responde. Um sábio geralmente tem mais questões do que respostas para temas específicos.

Divaldo derrubou a imagem de "pacifista" quando acusou de terem sido "tiranos colonizadores" os refugiados do Oriente Médio, juízo de valor dado numa entrevista à imprensa portuguesa após o fim de um "congresso espírita" na França, em dezembro de 2016. Isso porque os pobres dos refugiados estavam fugindo de países em guerra, com muita dificuldade, alguns morrendo no meio do caminho, e queriam viver em paz em algum país europeu, ainda que sob condições bastante modestas.

Divaldo derrubou a imagem de "humanista", quando ofereceu o Você e a Paz para homenagear uma figura desumana como João Dória Jr. - capaz de reprimir usuários de drogas com violência policial e de mandar jogar jatos de água para acordar moradores de rua, humilhando-os e causando risco de doenças devido ao choque térmico - e o permitiu lançar oficialmente a "farinata" ou "ração humana", que nutricionistas definiram como "ofensa à dignidade humana".

Divaldo derrubou a imagem de "altruísta", quando, em recente entrevista num "congresso espírita" em Goiânia, condenou a ideologia de gênero, definindo-a como uma "imoralidade ímpar" e defendeu o juiz Sérgio Moro, chamando-o de "presidente da República de Curitiba" por "desnudar a hipocrisia", agindo ao arrepio do Direito e da Constituição Federal, e investindo em práticas truculentas como a condução coercitiva para depoimentos na Polícia Federal.

Há muitos pontos sombrios a mais dos "médiuns espíritas" que dariam grossos volumes de livros. E nem a "caridade", desculpa usada para atenuar a culpa dos "médiuns", tem o mérito que atribuem: ela nunca trouxe efeitos sociais profundos nem definitivos, e a grandeza com que se atribuem os "médiuns" e seu poder de influência na sociedade sugere que o Brasil teria atingido níveis escandinavos de qualidade de vida, se essa "caridade" realmente funcionasse.

Com base nos alertas de Herculano Pires, a "caridade espírita" é só uma desculpa para os "médiuns" fazerem o que quiserem com o Espiritismo, blindados por esse pretexto. Mas essa "caridade" é aceita sem provas consistentes de seus resultados, que, em verdade, são ínfimos, porque o Brasil nunca saiu de sua situação subdesenvolvida e miserável de maneira definitiva.

Como deturpadores do Espiritismo, os "médiuns espíritas" têm mais que ser questionados, contestados e até repudiados, como traidores dos ensinamentos originais de Kardec. São traidores do Espiritismo não porque eram espíritas autênticos, mas porque estão associados a um compromisso que disseram assumir e nunca cumpriram de maneira honesta e coerente.

Nem a caridade pode ser usada para atenuar esses erros e abafar críticas. Pelo contrário, essa caridade fajuta dos "médiuns espíritas" serve mais para promoção pessoal, e isso se torna ainda mais deplorável, porque usar a caridade para esconder outros erros é ainda mais criminoso e mostra o cinismo com que agem os deturpadores do Espiritismo, que se apoiam em qualquer desculpa ou pretexto para continuar ao mesmo tempo traindo Kardec e se autoproclamando seus herdeiros. Isso é lamentável.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Deus, O ser mais malévolo que jamais existiu - Parte III

março 13, 2019
"A religião nunca tornou os homens livres" 
Robert G. Ingersoll 

Texto escrito por William C. Magalhães 

Estamos no final da nossa trajetória. Não sabemos o que o futuro nos reserva, nem o que devemos esperar daqui em diante. É na frente de grandes muralhas e conurbações sociais que a humanidade - vez ou outra - encontra a saída dos problemas que ela mesma criou. E qual é o grande problema  que enfrentamos hoje? 

A falta de liberdade. 

Liberdade de pensar, de existir, de sonhar.

A religião, diferente do que ateístas antagonistas dela afirmam, não é a causa de nossos males. Não é nem a última. A religião é uma tentativa do homem de retornar a seu ápice existencial - de se reconectar a sua fonte primária, ou como hoje chamamos de supraconsciência. Daí o nome religião, do Latim Religare, isto é, religação. 

A grande reflexão aqui não é se a sua religião é ou não a salvadora da humanidade - Aliás, não seria prepotência de qualquer pessoa dizer que ela e seu grupo ser a ÚNICA fonte de conhecimento verdadeiro, de espiritualidade verdadeira?

E sim o que todas as religiões tentam nos expressar. Qual a mensagem oculta que todas as seitas, organizações, missas, cultos ao redor do mundo tentam expressar? A verdade? Mas qual seria a verdade? A verdade cristã? Wicca? Satanista?

A mensagem pode ser esta: Religação.

Religação da humanidade com seu eu superior, com seu eu maior.
A religação da humanidade com todas as estruturas que a tornam - não um animal evoluído - mas um ser distinto dos demais, consciente e responsável por sua realidade.
A vida do ser humano não é uma colcha de retalhos que deve ser preenchida com os bens materiais que o mundo oferece, tampouco o desprendimento deles.

"Seja pobre, que serás espiritualizado" 
"Seja rico, que conseguirá ter a paz que a religião diz dar" 
"Seja racional, pois todas as suas dúvidas serão sanadas por sua forma condicional de pensar" 

É este o caminho final da espiritualidade? Ser rico, ser pobre, ser racional?
Qual é, afinal, o caminho para a luz, a iluminação?

O homem e sua totalidade não é o dono da verdade, tampouco ele e sua observação pode assimilar as regras que controlam o universo. Uma criança pode deduzir do que o universo é feito, suas regras, sua concepção total?
Porque o homem adulto - com toda sua falsa superioridade - conseguiria?
As leis que conhecemos hoje são passageiras, são consequências momentâneas de uma análise fragmentada da realidade. É uma verdade confortável, instantânea, que se conecta com os outros fragmentos criados pelo homem.
Loucura?
Os gregos diziam que o universo era banhado pelo éter -  uma substancia desconhecida, que iria compor a massa disforme que é nosso universo. Hoje alguns teóricos afirmam que o que era denominado como éter pelos gregos, hoje pode ser a massa escura, ou partículas subatômicas quase imperceptíveis a medição cientifica. 
Amanhã, novos conceitos, paradigmas e "Leis" serão criadas, defendidas e teorizadas mundo a fora - na eterna tentativa do homem de alcançar os alicerces da criação.

Não há certezas sobre esse mundo que não podem ser desconcertadas, destruídas deste sua fundação. O que ontem era a verdade absoluta, amanhã será um ataque histérico de mentira, uma tentativa falha de compreender a realidade.

A ciência hoje tenta explicar os fenômenos físicos e suprafísicos, mas ignora totalmente aqueles com características metafísicas (meta, em grego, significa além, ou seja, além da física).

Hoje não há praticamente em nenhum periódico sério ou de grande renome estudos que venham teorizar acerca do mundo espiritual, suas características e fundamentos.

Para a ciência ortodoxa, os fenômenos espirituais não são "dignos" de serem analisados com seriedade.

Mas porque não seriam? O efeito placebo, a capacidade humana de influenciar a matéria com suas ondas cerebrais são apenas alguns dos exemplos que podemos citar provando, novamente, nossas capacidades ocultas que não são devidamente elucidadas por mero preconceito da ciência nos moldes tradicionais cartesiano.

Mas seria a ciência a inimiga da humanidade?

Obviamente que não. A ciência é um punhado de métodos criados pelos homens para compreender a realidade. Agradeça a um cientista se hoje você e sua família não estão sofrendo em algum lugar escuro, sem eletricidade e morrendo com alguma doença que hoje pode ser considerada "simples" mas que no passado havia ceifado milhões de vida, como a tuberculose.

Mas ainda assim, a ciência ou algum cientista não pode afirmar categoricamente que a verdade só pode ser obtida pelo seu método. Afinal, ainda existem diversas teorias, fatos e discussões que a ciência ainda engatinha. Como o problema de medição (ou measurement problem, na sua versão original),
As constantes físicas são universais ou apenas aplicadas a uma parte finita do universo?

 A ciência é um método pragmático de se analisar aspectos mais visíveis e poupáveis da realidade, mas ela sequer consegue explicar a racionalidade humana, muito menos a interpretação e a significação dos símbolos que compõem nossa psique, como a noção do tempo e a realidade. A ciência não consegue afirmar com provas cientificas que o tempo é algo concreto, intangível , e não uma criação de sua mente feita há 5 minutos atrás.

Por outro lado, a religião deve ser fonte de uma verdade absoluta?

Quando nos templos religiosos se afirma que ali há a verdade libertadora, única e soberana, então corra dali imediatamente. Pois qualquer indivíduo ou religião que se coloque em tamanho pedestal, provavelmente não tem mais nada a ensinar a humanidade. Tornou-se, conforme se é observado em qualquer instituição que tenha demasiado reconhecimento, um desserviço a humanidade, seu objetivo final não sendo a emancipação da consciência ou libertação dos cativos, mas sim a criação de novos adeptos pagadores de dízimos.

Por fim, devemos realçar a cartilha de mazelas que nos foi imposta, desde o tempo imemorial do qual viemos e acabamos jogados aqui neste mundo, cativos de um sistema predatório, maléfico e sanguinário, cujo o objetivo final é sugar nossas almas e nos jogar no limbo.

Mas isso é assunto para outro artigo.





sexta-feira, 8 de março de 2019

10 coisas “espirituais” que as pessoas fazem e são uma total besteira - Escape Espiritual

março 08, 2019
Esse é uma tradução do Awebic de artigo originalmente publicado em Conscious Reminder.
Autossabotagem
Ninguém nunca me disse que a espiritualidade poderia ser uma armadilha de autossabotagem do ego.
Eu passei três anos lendo sobre ensinamentos espirituais e os incorporando em minha vida, antes de aprender que a espiritualidade tem um lado sombrio.
Naturalmente, fiquei surpreso. Eu me senti meio traído.

Como algo que parece ser tão puro pode ser prejudicial?

A resposta tem a ver com algo que os psicólogos chamam de escape espiritual.
No começo da década de 1980, o psicólogo John Welwood cunhou o termo “escape espiritual” para se referir ao uso de práticas espirituais e crenças para evitar o confronto com sentimentos desconfortáveis, feridas não resolvidas e necessidades emocionais e psicológicas fundamentais.
De acordo com o psicoterapeuta Robert Augustus Master, o escape espiritual faz nós nos retirarmos de nós mesmos e de outros, a nos esconder atrás de um tipo de máscara espiritual de crenças e práticas metafísicas.
Ele diz: “Não apenas nos distancia da nossa dor e nossos problemas pessoais, mas também da nossa própria espiritualidade autêntica, nos prendendo em um limbo metafísico, uma zona de gentileza exagerada, bondade e superficialidade”.

Percepções dolorosas: meu próprio escape espiritual

Autossabotagem espiritual
No livro inovador de Robert Augustus Masters, “Spiritual Bypassing: When Spirituality Disconnects Us From What Really Matters”(Desvio Espiritual: Quando a Espiritualidade Nos Desconecta Do Que Realmente Importa), ele escreve:
Os aspectos do escape espiritual incluem desapego exagerado, anestesia emocional e repressão, excesso de ênfase no positivo, raivafobia, cegueira ou compaixão tolerante demais, limites fracos ou muito pobres, desenvolvimento desequilibrado (a inteligência cognitiva geralmente está bem à frente da inteligência emocional e moral), julgamento prejudicado sobre a negatividade ou o lado sombrio de alguém, desvalorização do pessoal em relação ao espiritual e a ilusão de ter alcançado um nível mais alto de ser.”
Eu encontrei o conceito de escape espiritual pela primeira vez no trabalho de Masters. Embora eu estivesse relutante em admitir, eu imediatamente soube que, em algum nível, este conceito se aplicava a mim.
Conforme continuei refletindo sobre o escape espiritual, eu percebi cada vez mais aspectos inconscientes da espiritualidade, e percebi que eu estava, sem saber, colocando em prática vários deles em determinados momentos.
Embora dolorosas, essas foram algumas das percepções mais importantes que eu já tive.
Elas me ajudaram a parar de usar uma forma distorcida de “espiritualidade” como um levantador de ego e a começar e ter mais responsabilidade para direcionar minhas necessidades psicológicas e os problemas que surgem na minha vida.


Coisas “espirituais’ que as pessoas fazem e sabotam seu crescimento

A melhor maneira de entender o escape espiritual é através de exemplos, então agora é hora de um pouco de “amor bruto”.
Eu irei descrever em detalhes dez tendências inconscientes específicas de pessoas espirituais.
Cuidado: algumas delas podem parecer muito familiares.
Lembre-se: Você não precisa ter vergonha de admitir que alguns itens desta lista se aplicam a você. Eu suspeito que alguns deles se aplicam a todos que já tiveram interesse em espiritualidade.
A maioria deles se aplicava a mim em determinado momento e, em alguns deles, eu ainda estou progredindo.
O objetivo aqui não é julgar, mas aumentar a autoconsciência para progredir em direção a uma espiritualidade mais honesta, capacitada e útil.
Vamos lá.
"Como Meditar"
Este artigo será ilustrado com alguns memes do JP Sears, que é um humorista
norte-americano que satiriza os comportamentos espiritualistas mostrando que, muitas vezes,
são absolutamente infundados, nocivos à saúde, e até equivalentes aos dos fundamentalistas religiosos.


1. Participar de atividades “espirituais” para se sentir superior a outras pessoas.

Autossabotagem espiritual
Talvez você esteja fazendo papel de bobo(a) e não sabe apenas porque não
quer confrontar as suas próprias crenças confortáveis.

Provavelmente este é o aspecto inconsciente mais universal da espiritualidade, que assume várias formas.

Conheça o canal "Despertando com JP"
Algumas pessoas se sentem superiores porque leem Alan Watts. Ou vão para o trabalho de bicicleta. Ou abstêm-se de assistir TV. Ou consomem uma dieta vegetariana. Ou usam cristais. Ou visitam templos. Ou praticam yoga ou meditação. Ou usam drogas psicodélicas.

Perceba que eu não estou dizendo nada sobre o valor de participar destas atividades. Eu adoro Alan Watts e acho que a meditação é bastante benéfica.

O que estou dizendo é que é perigosamente fácil permitir que suas ideias e práticas espirituais se tornem uma armadilha do ego – acreditar que você é tão melhor e mais iluminado do que todo aquele “povo-gado”, porque você está fazendo todas essas coisas radicais.

Em última análise, esse tipo de atitude em direção à “espiritualidade” não é melhor que acreditar que você é melhor que todo mundo porque você é um Democrata ou um fã dos Lakers.
"Tenta se tornar iluminado, apenas para
 se sentir mais iluminado do que todo mundo" - Branca de Dreads

Essa disfunção, na verdade, inibe a espiritualidade genuína, fazendo nos focar em ser melhor que outras pessoas, ao invés de cultivar um senso de conexão com o cosmos, sentindo uma maravilha poética com a sublime grandeza da existência.


2. Usar “espiritualidade” como justificativa para o fracasso ao assumir a responsabilidade dos seus atos.


"Quando outras pessoas querem muito, elas estão apenas sendo gananciosas.
 Quando eu quero muito, estou sendo abundante porque sou espiritual." #UltraEspiritual

A essência deste ponto é que é muito fácil distorcer certos mantras ou ideias espirituais em justificativas para ser irresponsável e não confiável.

“É o que é.” ou “O universo já é perfeito.” ou “Tudo acontece por uma razão.” Tudo pode funcionar como excelentes justificativas para não fazer nada e nunca realmente examinar o comportamento de alguém.

Não estou comentando se as afirmações acima são verdadeiras ou não.

Só estou dizendo que, se você se atrasa constantemente para compromissos, se frequentemente negligencia seus relacionamentos pessoais, se seus colegas de quarto não podem contar com você para pagar o aluguel, talvez você deva parar de dizer a si mesmo: “Tudo bem, cara, a realidade é uma ilusão mesmo”. E começar a se tornar alguém com quem outras pessoas possam contar.

Em uma via similar, é surpreendentemente fácil enganar a si mesmo ao pensar que toda vez que alguém tem um problema com o seu comportamento, é porque essa pessoa “não honra a minha verdade” ou “precisa crescer espiritualmente”.

É muito mais difícil de reconhecer os momentos nos quais agimos brutalmente, egoisticamente ou irrefletidamente e causamos sofrimento a outra pessoa.

É muito mais difícil admitir que estamos muito longe da perfeição e que o crescimento e o aprendizado são processos que nunca acabam.


3. Adotar novos hobbies, interesses e crenças simplesmente porque são a última mania “espiritual”.


Essa posição é chamada de Living La Yoga Loka

Seres humanos querem se encaixar em algum lugar. Nós temos profunda necessidade de sentir que fazemos parte de algo.

E formamos grupos de todos os tipos para satisfazer esta necessidade. Espiritualidade é uma área de interesse onde as pessoas formam todos os tipos de grupos.

Potencialmente, isso é ótimo, mas também tem um aspecto inconsciente.

Para muitas pessoas, “espiritualidade” é um pouco mais do que uma coisa hippie que muitas pessoas parecem se importar.

Essas pessoas têm a ideia de que querem entrar nesse movimento espiritual, então começam a praticar yoga, usar artigos da Nova Era, ir a festivais de música, beber ayahuasca, etc, e dizem para si mesmos que essas coisas os fazem “espirituais”.

Esses “encenadores espirituais” atenuam a importância do aprofundamento espiritual genuíno, da contemplação, da experiência e da percepção.

Eles também, na minha experiência, tendem a ser pessoas “espirituais” que usam a “espiritualidade” como motivo para se sentirem superiores aos outros.


4. Julgar outras pessoas por expressar raiva ou outras emoções fortes, mesmo quando necessário.


"Está incomodado com alguma coisa? ih.. isso é armadilha do ego, hein? Você precisa evoluir mais!"

Este foi um dos primeiros padrões que eu percebi em mim após ser apresentado ao escape espiritual.
Eu percebi que quando pessoas ficavam chateadas ou bravas comigo, minha reação era dizer coisas como: “Ficar nervoso não resolve nada” ou “Eu acho que poderíamos ter menos problemas se pudermos permanecer calmos”.
Internamente, eu silenciosamente julgaria a outra pessoa, pensando: “Se ela fosse mais iluminada, poderíamos evitar esse drama”.
Em muitas situações, essa era a minha maneira de evitar problemas profundos que precisavam ser direcionados.
Quando você se interessa pela espiritualidade, uma das primeiras citações que você encontra provavelmente é: “guardar a raiva é como segurar um carvão em brasa com a intenção de atirá-lo em alguém; é você que acaba se queimando.”
Esta citação é comumente atribuída de forma errônea à Buda, embora na verdade seja uma interpretação de uma declaração feita por Budagosa no século V.
O ponto sutil desta citação é que nós não devemos guardar a raiva; nós devemos senti-la, expressá-la se necessário, e então deixá-la para trás.
Porém, é muito comum para um leigo assumir que isso significa que raiva, em qualquer forma, é um sinal de que a pessoa não é sábia nem espiritual. Isso não é verdade.
A raiva é uma emoção humana natural e uma reação perfeitamente justificada em várias situações. Com frequência, a raiva é um indicador de que há sérios problemas que precisam ser ponderados por alguém ou seus relacionamentos.
Ironicamente, muitas pessoas espirituais reprimem todas as emoções “não-espirituais” e artificialmente elevam emoções/traços “espirituais” como compaixão, bondade e equanimidade. Isso leva à falsidade.
A pessoa tem dificuldades de constantemente se apresentar como calma, gentil, legal e em um estado de paz perpétua, e acaba parecendo como uma fraude.


5. Usar “espiritualidade” como justificativa para uso excessivo de drogas.


Já usou sua dose de evolução hoje? 
Muitas pessoas, inclusive eu, acreditam que drogas psicodélicas podem causar experiências místicas e elevar a espiritualidade.

Até aí tudo bem, mas algumas pessoas levam essa percepção longe demais, usando-a como uma forma de racionalizar padrões autodestrutivos de uso de drogas e para cegar a si mesmas para o lado sombrio de várias substâncias.
"Realiza o 'ritual sagrado da cannabis'
17 VEZES POR DIA"
(só não usa quando tá dormindo)

Nos casos mais extremos, pessoas “espirituais” acabam “realizando cerimônias de cannabis” durante todo o seu período acordado; usando drogas psicodélicas com muita frequência ou em contextos inapropriados; e negando completamente que estas substâncias têm qualquer efeito negativo.

Agora, a HighExistence tende a ser pró-psicodélicos, mas deixe-me ser direto com você: drogas psicodélicas, incluindo cannabis, definitivamente possuem um lado sombrio.

Se você é irresponsável ou simplesmente sem sorte, drogas psicodélicas mais fortes como LSD ou cogumelos de psilocibina podem ocasionar experiências traumáticas com ramificações negativas de longo prazo.

E cannabis, uma droga psicodélica leve, é uma formadora de hábitos de uso de drogas sedutora, que sutilmente deixará sua mente nebulosa e corroerá sua motivação, caso consuma muito ou com muita frequência.

Respeite as substâncias e use-as com sabedoria.


6. Enfatizar demais a “positividade” para evitar olhar para os problemas em suas vidas e no mundo.


"Namastê, gratidão, Zen, Om Mani Padme Hum, good vibes...
Tudo de ruim que lhe acontece só pode ser culpa dos seus pensamentos ruins
e não porque você vivem em um mundo onde coisas ruins
acontecem aleatoriamente às pessoas."

“Apenas seja positivo!” é frequentemente empregado como um mecanismo de desvio pelas pessoas “espirituais”, que preferem não fazer o trabalho difícil de confrontar seus problemas internos, feridas e bagagem, sem falar dos problemas do mundo.

O movimento de “positividade” explodiu na cultura ocidental nos últimos anos.
Os ocidentais capturam saberes de povos
antigos e tradicionais e transformam
seus significados em uma grande salada
de conceitos e práticas.
Se tornam pessoas anestesiadas, alienadas e
incapazes de lidar com as nuances negativas
da realidade humana.
A Internet está transbordando de memes e artigos aparentemente infinitos, repetindo as mesmas mensagens vazias: “Pense coisas positivas!” “Apenas seja positivo!” “Não se concentre no negativo!”
Embora certamente haja valor em cultivar a gratidão pelas várias maravilhas da experiência humana, esse movimento parece negligenciar algo crítico: os aspectos mais obscuros da vida não desaparecem simplesmente porque são ignorados.

Na verdade, muitos problemas em nossas vidas particulares e na escala global parecem apenas piorar ou ficar ainda mais complexos quando são ignorados.

Da mesma forma que pareceria absurdo dizer a um viciado em heroína a frase “apenas pense positivo!” como uma solução para o seu problema, é absurdo acreditar que pensamento positivo oferece algum tipo de solução para grandes problemas globais como mudança climática, pobreza, agricultura industrial e riscos existenciais.

20 milhões de pessoas por ano morrem da pobreza em seu planeta
"Apenas permaneçam positivos, família!! Namastê <3"

Isso não quer dizer que devemos carregar os problemas do mundo em nossos ombros e nos sentir mal sobre eles o tempo todo. É saudável reconhecer e se sentir otimista sobre o fato de que de várias maneiras importantes, o mundo está melhorando.

Porém, precisamos equilibrar esse otimismo com a disposição de confrontar problemas reais em nossas vidas particulares, nossas comunidades, nosso mundo.


7. Reprimir emoções desagradáveis que não se encaixam na narrativa “espiritual”.


"Técnicas para Relacionamentos Passivo-Agressivos"
Todas as emoções desagradáveis que você não assumir conscientemente vão minar a saúde das suas relações.


“Sem chance, é impossível que eu fique deprimido, ou solitário, ou com medo, ou ansioso. Eu amo a vida demais e sou muito [Zen / sábio / iluminado] para permitir que isso aconteça.”

Eu me deparei com esse problema quando me mudei para a Coreia do Sul para ser um professor de inglês durante um ano.
Eu pensei que tinha cultivado uma tranquilidade imperturbável, uma capacidade de Lao Tzu para apenas “seguir o fluxo” e flutuar, como uma boia, em cima das idas e vindas das ondas do destino.

Então eu vivenciei choque cultural, solidão arrebatadora e uma aguda saudade de casa, e tive que admitir para mim mesmo que, no final das contas, eu não era um tipo de Mestre Zen.

Ou ainda, eu tive que perceber que a capacidade de “seguir o fluxo” e aceitar que o que está acontecendo é eternamente valiosa, mas que às vezes isso significará aceitar que você se sente como uma pilha de merda.

Na realidade sente medo e raiva
Finge não sentir medo e raiva porque não é espiritual
É fácil iludir-se e acreditar que a espiritualidade irá fazê-lo se sentir nas nuvens, mas na prática, não é assim que funciona.

A vida ainda é cheia de sofrimentos e, para realmente crescer e aprender com nossas experiências, precisamos ser honestos com nós mesmos sobre o que estamos sentindo e deixar que isso aconteça totalmente.

No meu caso, meu desejo de ser sempre “Zen”, de “seguir o fluxo” e de projetar uma imagem de paz interior para mim e para outros me impediu de ver a verdade sobre várias situações/experiências e de assumir a responsabilidade para lidar com elas.


8. Sentir profunda aversão e auto-aversão quando confrontado com seu lado sombrio.


Espiritual como o Inferno

Eu percebi isso em mim muito rápido, após aprender sobre escape espiritual.

Eu vi que minha imagem narcisista de mim mesmo como uma pessoa sábia, que alcançou realizações “mais altas”, estava causando uma quantidade ridícula de dissonância cognitiva.

Eu me julguei com sabedoria e senti uma colossal e esmagadora culpa por decisões menos do que virtuosas.

Quando você se interessa pela espiritualidade, é fácil idolatrar pessoas como Buda ou Dalai Lama e acreditar que essas pessoas são seres humanos perfeitos que sempre agem com total consciência e compaixão. Na verdade, isso certamente não é o caso.

Mesmo que seja verdade que alguns humanos atingem um nível de percepção em que fazem a “ação correta” em todas as circunstâncias, precisamos reconhecer que tal coisa é reservada para poucos.

Pessoalmente, eu suspeito que isso não existe.

Na verdade, todos somos humanos falhos e todos vamos cometer erros. O jogo está contra nós.

É praticamente impossível viver até mesmo algumas semanas de vida humana adulta sem cometer alguns erros, muito menos os menores. Ao longo dos anos, haverá grandes erros. Acontece com todos nós, e não tem problema. Perdoe-se.

Tudo o que você pode fazer é aprender com seus erros e se esforçar para fazer melhor no futuro.

Paradoxalmente, a lição aparentemente espiritual de auto-perdão pode ser especialmente difícil de internalizar para pessoas interessadas em espiritualidade.

Os ensinamentos espirituais podem deixar uma pessoa com ideais estratosfericamente altos, que resultam em uma culpa imensa e uma aversão a si mesmo quando não é capaz de corresponder a eles.

Esta é uma das principais razões pelas quais é tão comum que as pessoas espirituais desviem a responsabilidade – porque ser honesto sobre suas falhas seria muito doloroso.

Ironicamente, devemos ser honestos com nós mesmos com relação aos nossos erros, a fim de aprender com eles, crescer e nos tornamos versões mais autoconscientes e compassivas de nós mesmos.

Lembre-se: Você é somente um ser humano. Tudo bem cometer erros. Sério, está tudo bem.

Mas admita para si mesmo quando cometer um erro e aprenda com ele.


9. Encontrar-se em situações ruins devido à excessiva tolerância e uma recusa a distinguir pessoas.


Como se ofender

Este sou eu, 100%. Durante muito tempo, levei muito a sério a ideia de que todo ser humano merece compaixão e bondade.

Eu não discordo dessa ideia hoje em dia, mas percebi que existem inúmeras situações em que outras considerações devem temporariamente anular meu desejo de tratar todos os outros seres humanos com compaixão.
Em vários países, eu me encontrei em situações de risco de morte porque confiava demais nas pessoas, eu não sabia ou era gentil com pessoas que eu deveria ter reconhecido suas características obscuras.
Por sorte, eu nunca me machuquei nessas situações, mas eu já fui roubado e enganado várias vezes.
Em todos os casos, eu queria acreditar que as pessoas com quem eu estava interagindo eram “boas” pessoas de coração e me tratariam bem se eu assim o fizesse.
Essa linha de pensamento era terrivelmente ingênua, e eu ainda estou tentando me recondicionar para entender que em certos contextos, ser bonzinho não é a resposta.
O fato triste é que, embora você possa estar isolado disso, a luta pela sobrevivência ainda é muito real para um grande número de pessoas neste planeta.
Muitas pessoas cresceram na pobreza, cercadas por crime, e aprenderam que a única maneira de sobreviver é se aproveitando da fraqueza.
A maioria das pessoas em todo o mundo parece não ter essa mentalidade, mas se você se encontra em uma cidade ou país em que a pobreza é bastante presente, você deve tomar certas precauções, coisas básicas, como:
  1. Não ande em nenhum lugar sozinho após escurecer;
  2. Tente ficar longe de áreas abandonadas;
  3. Não pare para interagir com pessoas que tentam vender coisas para você;
  4. Faça distinções entre pessoas; deixe-se saber que não há problema em confiar no mecanismo de correspondência de padrões altamente evoluído do seu cérebro, quando ele diz que alguém parece drogado, perturbado, desesperado ou perigoso.


10. Querer tanto que várias práticas “espirituais” estejam corretas ao ponto de ignorar completamente a ciência.

Autossabotagem espiritual
Há uma linha bastante anti-científica em uma grande parte da comunidade espiritual, e eu acho isso uma vergonha.
"Não importa o quão alto o agricultor grite
 para uma semente,
a semente germinará em seu tempo."
Me parece que muitas pessoas espirituais se tornam hostis em relação à ciência, porque certas crenças e práticas que consideram valiosas são consideradas não comprovadas ou pseudocientíficas dentro da comunidade científica.
Se uma crença ou prática não é comprovada ou considerada pseudocientífica, isso significa apenas que ainda não conseguimos confirmar sua validade através de experimentos repetitivos em um laboratório.
Não significa que não é verdade ou que não é valioso.
O método científico é uma das melhores ferramentas que temos para entender a mecânica do universo observável; nos permitiu descobrir a verdade profunda da evolução biológica, observar os confins do espaço, prolongar a nossa vida por décadas e caminhar na lua, entre outras coisas.
Descartá-lo totalmente é perder uma das nossas lentes mais poderosas para entender a realidade.
Como Carl Sagan memoravelmente colocou:
A ciência não é apenas compatível com a espiritualidade; é uma fonte profunda de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar em uma imensidade de anos-luz e na passagem dos tempos, quando percebemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então esse sentimento crescente, essa sensação de exaltação e humildade combinada, é certamente espiritual.”
“Assim como nossas emoções na presença de uma grande arte, música ou literatura, ou de atos exemplares de coragem altruísta, como os de Mohandas Gandhi ou Martin Luther King Jr.”
“A noção de que a ciência e a espiritualidade são, de algum modo, mutuamente exclusivas, é um desserviço para ambas.”


Bônus: Deixar de lado o sucesso material por causa da crença de que dinheiro e capitalismo são malvados.

Autossabotagem espiritual
Muitas pessoas “espirituais” sabotam suas próprias capacidades de serem bem-sucedidas materialmente. Isso porque elas parecem ser alérgicas à riqueza, associando dinheiro com ganância, impureza e malevolência generalizada.
O capitalismo é visto como uma engrenagem de desigualdade e corrupção que deve ser desmantelada.
Eu costumava ter uma versão desta visão, então eu percebi o quanto ela é sedutora.
Se você é atraído pela espiritualidade, é natural desprezar o “materialismo”. Porém, na verdade, esta narrativa é muito simplista. A verdade sobre o capitalismo é complexa.

"Como assim você cobra por serviços espirituais?
Dane-se que esse é o seu trabalho, deveria ser de graça!
O seu 'dom' veio de graça, você deveria dar de graça também!
Eu quero me beneficiar do seu trabalho, sem pagar por ele!"
(Argumentos muito usados por Kardecistas
que chegam até o nosso site ForSub)
Sim, o capitalismo tem algumas desvantagens muito reais, mas, em muitos aspectos, o capitalismo tem sido uma força tremenda para o bem, estimulando a inovação maciça e tirando bilhões de pessoas da pobreza globalmente.

Em 1820, 94% das pessoas na Terra viviam na extrema pobreza. Em 2015, este número caiu para meros 9,6%, muito graças ao crescimento econômico catalisado pelo capitalismo.
Além disso, deixe-me ser direto com você novamente: não há nada de errado ao querer ganhar dinheiro. O dinheiro é uma ferramenta incrível.
Bilionários como Elon Musk e Bill Gates, que estão usando suas riquezas para ajudar o mundo de importantes maneiras, provam que o dinheiro pode ser usado para o bem ou para o mal.
Considere também os 139 bilionários e centenas de milionários que se comprometeram a doar um total de 732 bilhões de dólares para causas de caridade em suas vidas.
Na verdade, precisamos de pessoas mais compassivas para obter riqueza substancial, para que possam usá-la de forma eficaz e altruísta para melhorar o mundo.
Para esclarecer, eu sou a favor de regular/aperfeiçoar o capitalismo para fazê-lo funcionar para todos do planeta.
Por exemplo, eu acho que precisam haver regulações para proteger o meio ambiente, para prevenir abusos como grupos de interesse e captura regulatória.
Principalmente, sou a favor de um sistema econômico que incentive a inovação e o empreendedorismo, ao mesmo tempo que seja sustentável e atenda às necessidades básicas de todos.
Não tenho a certeza da melhor maneira de atingir esses objetivos elevados, mas nossas formas atuais de capitalismo estão fazendo um trabalho melhor do que muitas pessoas parecem pensar, dada a imensidão do desafio.
Eu sou totalmente a favor de um trabalho metódico e baseado em dados para aperfeiçoar e melhorar nossos sistemas econômicos, mas vamos ter certeza de perceber e reconhecer todas as coisas que o capitalismo realmente faz antes de descartá-lo.

Todos estamos aprendendo…

Eu acho que, para que os vários movimentos espirituais globais interligados sejam maximamente impactantes e úteis, eles precisam abordar seus aspectos inconscientes.
Neste ensaio, tentei iluminar alguns dos pontos cegos que parecem prevalecer na comunidade espiritual. Como eu disse, a maioria dos itens que discuti serviram para mim em um ponto ou outro.
É decididamente fácil cair em algumas das armadilhas da espiritualidade e abrigar várias crenças e comportamentos limitantes, ao mesmo tempo em que se sente como se alcançasse um nível “mais alto” de ser.
A lição aqui é que o crescimento e o aprendizado são processos intermináveis. Se você acha que não tem mais nada para aprender, provavelmente está se sabotando de várias maneiras.
Pode ser profundamente difícil admitir que por um longo tempo a pessoa estava errada ou mal orientada, mas a alternativa é muito pior.
A alternativa é uma espécie de morte espiritual e intelectual – um estado de estagnação perpétua em que a pessoa se ilude sem parar, pensando que tem todas as respostas, que alcançou a Forma Final.
Em um mundo que muda rapidamente, a aprendizagem contínua é de suma importância.
No máximo, a espiritualidade é uma força que pode ajudar a humanidade a perceber nossa identidade comum como seres conscientes, ganhar consciência ecológica, sentir-se conectado ao nosso cosmos e abordar as questões mais prementes do nosso tempo com compaixão, engenhosidade, equanimidade e o que Einstein chamou uma “santa curiosidade”.
No máximo, a espiritualidade é uma força que nos impulsiona a um futuro mais harmonioso, cooperativo e sustentável.
Um brinde ao refinamento da nossa espiritualidade coletiva e co-criação de um mundo mais bonito.
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A ciência não é apenas compatível com a espiritualidade; é uma fonte profunda de espiritualidade. - Carl Sagan